sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Redação erótica

REDAÇÃO DE ALUNA DA UFPE
Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.
Redação:
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.
Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Livramento aos olhos do Professor Fabio Bento UNIPAMPA


Semana passada, dois estudantes de Santana do Livramento, curso de Gestão Pública, Unipampa, escreveram num trabalho a seguinte frase: “Livramento não é um conjunto de problemas, mas um conjunto de possibilidades”. Concordo. Gostei da frase-resumo. Depois, fiquei pensando: “O maior problema de Livramento é o desânimo que domina o coração e a mente dos que há muito deixaram de acreditar em sua cidade”. Culpa disso? A culpa é do ET. O ET de Livramento é o falecido frigorífico Armour. O ET-Armour chegou dos céus, pousou na cidade, chupou vacas e ovelhas e, depois, foi embora. Ainda hoje há santanenses olhando para o céu, esperando que alguma outra empresa-ET venha para a cidade. Enquanto um ET não chega, apenas reclamam. Empurram a vida com a barriga. Minha esperança é outra. Não acredito em ETs. Acredito na criatividade e coragem dos santanenses que acreditam na vida, que trabalham em seus pequenos e médios negócios. E há muitos. Acredito nos estudantes santanenses e de outras cidades que estão aqui na Unipampa com os olhos cheios de esperança, homens e mulheres, jornalistas, políticos empenhados em várias áreas, cidadãos ativos de várias profissões e os que se dedicam integralmente aos estudos. O maior problema de Livramento, repito, é o desânimo alimentado por alguns como se fosse gado de invernar. Há muitos jovens de todo o Brasil vindo morar em Livramento. Sofrem um verdadeiro martírio para conseguirem alugar um apartamento. Pedem fiador, garantias. Meu Deus, parece que há santanenses não consideram a vinda de jovens para estudar em sua cidade como uma possibilidade, mas como um problema! Em Livramento, há várias casas abandonadas, com herdeiros que nem sabem o que seja trabalhar, que somente esperam pela morte de seus familiares para dividirem a herança. Ora, mas por que não transformam suas casas em locais para acolherem os jovens que aqui chegam para estudar? E com preços de aluguel que sejam coerentes com a boa imagem que nós gaúchos ainda temos de sermos acolhedores. Jovens que aqui chegam para estudar não deveriam ser explorados por gaúchos desalmados, mas acolhidos por gente que abre suas casas para alugar quartos a preços humanos, civilizados. A matemática das casas é estranha: há muitas casas vazias, muitos estudantes procurando quartos para alugar, e pouca gente investindo em acolhida humana e financeiramente viável. As imobiliárias fazem a parte delas, como podem. E os proprietários de imóveis? Muitas mães, brasileiras como você, que trazem seus filhos para estudarem aqui, ficariam gratas se as pessoas de bem desta cidade acolhessem (a pagamento) tais jovens para residirem em suas casas. Além do quarto teriam uma senhora que os ajudasse a superar as saudades de casa. Escolhi viver em Livramento faz mais de um ano. Gosto da cidade. Tenho muitos amigos, gente daqui. Gente que trabalha com a esperança numa mão e a criatividade na outra. Mas há, também, a turma dos desmaiados. Gente que espera um parente morrer para ganhar um dinheirinho, em vez de lutar com criatividade por uma cidade melhor. Na cidade, há cidadania ativa, mas há, também, cidadania morta, ou desmaiada, zumbis que se arrastam pela cidade esparramando o pus da indiferença. “Livramento não é um conjunto de problemas, mas um conjunto de possibilidades”. Os dois estudantes da cidade têm razão. Que ninguém se iluda: não vai chegar nenhum ET salvador em Livramento! A maior riqueza da cidade já está aqui. É a inteligência criativa dos cidadãos ativos desta magnífica gaúcha, fronteiriça, para sempre gloriosa, Sant’Ana do Livramento, cidade muito maior e muito mais bonita e rica do que seus eventuais pequenos problemas passageiros.

terça-feira, 30 de novembro de 2010


"À exceção de nossos pensamentos não há nada de tão absoluto em nosso poder"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Hoje acordei com a certeza de que estou fazendo tudo que é necessário para ser feliz. E tenho presente comigo que a felicidade é um sentimento simples, e que se possível não posso deixar ir embora, nem perder a simplicidade de sua existência. Cada gesto, cada olhar, de amor, de afeto... são momentos de felicidade... então... é só deixar a vida continuar na certeza que momentos continuarão a existir. E viver, simplesmente viver.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

MARCAS

DO BLOG DO MARIO CAMPELLO

Quando eu era criança, bem novinho, meu pai comprou o primeiro telefone da nossa vizinhança.
Eu ainda me lembro daquele aparelho preto e brilhante que ficava na cômoda da sala.
Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava ouvindo fascinado enquanto minha mãe falava com alguém.
Então, um dia eu descobri que dentro daquele objeto maravilhoso morava uma pessoa legal!
O nome dela era “Uma informação, por favor” e não havia nada que ela não soubesse.
“Uma informação, por favor” poderia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa.
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Minha primeira experiência veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho.
Eu estava na garagem mexendo na caixa de ferramentas quando bati em meu dedo com um martelo.
A dor era terrível, mas não havia motivo para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para me oferecer a sua simpatia.
Eu andava pela casa, chupando o dedo dolorido até que pensei:
O telefone!
Rapidamente fui até o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente à cômoda da sala.
Subi na escada, tirei o fone do gancho e segurei contra o ouvido. Alguém atendeu e eu disse: “Uma informação, por favor”.
Ouvi uns dois ou três cliques e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido. “Informações.”
“Eu machuquei meu dedo…”, disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência.
” A sua mãe não está em casa?”, ela perguntou.
“Não tem ninguém aqui…”, eu soluçava.
“Está sangrando?” “Não”, respondi.
“Eu machuquei o dedo com o martelo, mas está doendo…”
“Você consegue abrir o congelador?”, ela perguntou.
Eu respondi que sim.
“Então pegue um cubo de gelo e passe no seu dedo”, disse a voz.
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Depois daquele dia, eu ligava para “Uma informação, por favor” por qualquer motivo.
Ela me ajudou com as minhas dúvidas de geografia e me ensinou onde ficava a Philadelphia.
Ela me ajudou com os exercícios de matemática.
Ela me ensinou que o pequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.
Então, um dia, Petey, meu canário, morreu.
Eu liguei para “Uma informação, por favor” e contei o ocorrido.
Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se dizem para uma criança que está crescendo.
Mas eu estava inconsolável.
Eu perguntava: “Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria para gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola?”
Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque acrescentou mansamente:
“Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde a gente pode cantar também…”
De alguma maneira, depois disso eu me senti melhor.
No outro dia, lá estava eu de novo.
“Informações.”, disse a voz já tão familiar.
“Você sabe como se escreve ‘exceção’?”
Tudo isso aconteceu na minha cidade natal ao norte do Pacífico.
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Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para Boston.
Eu sentia muita falta da minha amiga.
“Uma informação, por favor” pertencia àquele velho aparelho telefônico preto e eu não sentia nenhuma atração pelo nosso novo aparelho telefônico branquinho que ficava na nova cômoda na nova sala.
Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam da minha memória.
Freqüentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo.
Hoje eu entendo como ela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um molequinho.
Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma escala em Seattle.
Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos.
Falei ao telefone com minha irmã, que morava lá, por 15 minutos. Então, sem nem mesmo sentir que estava fazendo isso, disquei o número da operadora daquela minha cidade natal e pedi: “Uma informação, por favor.”
Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo: “Informações.”
Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando:
“Você sabe como se escreve ‘exceção’?”
Houve uma longa pausa… acho que o seu dedo já melhorou, Paul.” Eu ri. “Então, é você mesma!”, eu disse. “Você não imagina como era importante para mim naquele tempo.”
“Eu imagino”, ela disse.
“E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse.”
Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã.
“É claro!”, ela respondeu.
“Venha até aqui e chame a Sally.”
Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã.
Quando liguei, uma voz diferente respondeu: “Informações.”
Eu pedi para chamar a Sally.
“Você é amigo dela?”, a voz perguntou.
“Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul.”
“Eu sinto muito, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas.”
Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou:
“Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?”
“Sim.”
“A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar caso você ligasse. Eu vou ler pra você.”
A mensagem dizia:
“Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar também.
Ele vai entender.”
Eu agradeci e desliguei. Eu entendi…

NUNCA SUBESTIME A “MARCA” QUE VOCÊ DEIXA NAS PESSOAS,
NEM TAMPOUCO DEIXE PARA DEPOIS, DIZER O QUANTO ELAS SÃO IMPORTANTES !!!

SOMOS DONOS DO NOSSO PRÓPRIO DESTINO

Estava na sala de aula, de Gestão Pública, Unipampa e adorei um comentário feito por um colega destacando que devemos fazer as nossas escolhas, independente da maneira de como as pessoas agem ao nosso redor. Gritos, pressões, força, convicções alheias... devem ser consideradas sim, mas para conhecimento, não para decisões. SOMOS DONOS DO NOSSO PRÓPRIO DESTINO!

Para ilustrar:

O colunista Sydney Harris conta uma história em que acompanhava um amigo numa banca de jornais.
O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro.

Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo de Harris sorriu polidamente e desejou um bom fim de semana ao jornaleiro.

Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:
“- Ele sempre te trata com tanta grosseria?
“- Sim, infelizmente é sempre assim…”
“- E você é sempre tão polido e amigável com ele?”
“- Sim, sou.”
“- Por que você é tão educado, já que ele é tão inamistoso com você?”
“- Porque não quero que ele decida como eu devo agir.”…
.
(John Powell, S.J.)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um novo horizonte

Saber escolher faz parte de atitudes sábias.
Nesse sentido não sou tão boa assim.
As minhas escolhas têm sido completamente erradas.
Minha mãe diz que eu tenho o dedo podre!
Fazer o que?
Uma amiga destacou que isso é coisa de karma... temos que enfrentar!
Aconteceu uma vez, duas, três... na quarta vai ter que se resolver.
Loucura ou não, só desejo ser feliz!!!!!!!